
Quando você desliza o dedo na tela do seu smartphone, assiste TV ou usa fones de ouvido sem fio, provavelmente não imagina que todos esses dispositivos dependem de um grupo especial de elementos químicos conhecidos como “terras raras”. Mas o que exatamente são essas substâncias e por que as gigantes da tecnologia não conseguem viver sem elas?
O que são terras raras?
Apesar do nome sugerir escassez, as terras raras não são exatamente raras na crosta terrestre. Trata-se de um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica — 15 lantanídeos, mais escândio e ítrio — que compartilham propriedades químicas semelhantes. O termo “raras” vem do fato de que, embora geologicamente abundantes, esses elementos raramente são encontrados em concentrações economicamente viáveis para extração, e seu processamento é extremamente complexo e custoso.
Entre os principais elementos estão: neodímio, disprósio, térbio, európio, ítrio, cério e lantânio. Cada um possui propriedades únicas que os tornam indispensáveis para aplicações tecnológicas específicas.
Por que são cruciais para as Big Techs?
Propriedades magnéticas excepcionais: O neodímio, combinado com ferro e boro, cria os ímãs permanentes mais poderosos conhecidos. Esses ímãs são essenciais para miniaturizar motores elétricos em smartphones, tablets, discos rígidos e fones de ouvido. Sem eles, seus dispositivos seriam muito maiores e menos eficientes.
Displays e telas: O európio e o térbio são responsáveis pelas cores vermelha e verde vibrantes nas telas LCD e LED. O ítrio é fundamental para os fósforos que produzem luz branca em LEDs. Praticamente todas as telas modernas — de smartphones a monitores gigantes — dependem desses elementos.
Baterias e armazenamento de energia: O lantânio é usado em baterias de hidreto metálico de níquel, enquanto outros elementos melhoram a eficiência de baterias de íon-lítio. Com a corrida das big techs pela mobilidade elétrica e data centers sustentáveis, essa aplicação se tornou estratégica.
Componentes eletrônicos: Diversos elementos são usados em capacitores, semicondutores, sensores e outros componentes que formam o coração de qualquer dispositivo eletrônico moderno.
O dilema geopolítico
Aqui está o problema: atualmente, a China controla cerca de 60-70% da produção mundial de terras raras e domina mais de 90% do refino e processamento desses materiais. Isso cria uma dependência perigosa para empresas como Apple, Google, Microsoft, Samsung e Tesla.
Qualquer tensão geopolítica pode interromper o fornecimento, elevando drasticamente os custos ou até inviabilizando a produção de milhões de dispositivos. Por isso, países como Estados Unidos, Austrália e nações europeias estão investindo pesadamente para desenvolver suas próprias capacidades de extração e processamento.
O futuro das terras raras
As big techs enfrentam um desafio duplo: garantir o suprimento contínuo desses elementos enquanto desenvolvem alternativas mais sustentáveis. A mineração de terras raras é ambientalmente agressiva, gerando resíduos tóxicos e radioativos.
A reciclagem de eletrônicos antigos, pesquisas para substituir terras raras por materiais alternativos e a diversificação das fontes de suprimento são estratégias em curso. Mas, por enquanto, esses 17 elementos químicos continuam sendo os verdadeiros protagonistas invisíveis da revolução digital — e as big techs sabem que seu futuro depende deles.